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25 de fevereiro de 2016

Poesia à Vida

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Hoje o céu amanheceu azul.
Aquele azul das janelas e portas dos casarões antigos…
Aqueles casarões que abrigavam famílias
e histórias vivas do século passado…

Olho para o céu de infinito azul
As nuvens passam lentamente.
Mais rápido passam meus pensamentos,
acompanhando a aceleração da vida moderna
que corre, corre, corre e morre!

Um pássaro me distrai com seu
grunhido feliz: o guaxo;
chega com sua amada,
agradecidos por mais um dia
e uma bela refeição…
Quando saem em voo
revelam-nos o vermelho da paixão
na aliança do acasalamento.

O sol estala as folhas
que se despedem das árvores.
Desgarram-se do tronco que as
alimentou por toda vida…

Olho para a árvore.
Sinto um desejo enorme de,
assim como ela, apenas ser.

Ali, feliz em sendo árvore,
recebe o vento e dançam juntos no tempo.

E por estarem ali, felizes,
atraem para si a diversidade da vida;
celebram um banquete em honra
ao grande mistério do amor.

Como parece simples para a árvore ser árvore;
exerce, apenas, sua vocação.

A árvore não se preocupa em querer voar…
ela abriga os que voam,
e é feliz assim.
Oferece-lhes sombras, alimentos e abrigo,
contente em servi-los.

A árvore é receptiva
e acolhe a todos os que
em suas sombras buscam o repouso.
A estes oferece o seu frescor.

Olho para as folhas que,
sorrindo, brindam-me.
Eu sorrio para elas,
as contemplo e tiro meu chapéu
– mas eu não tenho chapéu;
é como se o tivesse,
pois, dentro em mim
sou uma tradição inteira.

Carrego comigo, em meu próprio umbigo,
minha morada.
Moro em meu próprio corpo…

O nascer do sol
refletindo as folhas
revela a vaidade das árvores,
que ajeita suas copas,
assim como fazem as jovens
ao vê-las refletidas no espelhamento
dos carros parados nas calçadas…

As árvores, assim como as jovens
sabem que são belas.

Eu sei que a árvore
me sente e me vê.
Assim como a sinto e vejo.
Somos iguais e nos acolhemos
em espírito

Quando sento à sua sombra,
e ela me encanta
com sua canção de ninar,
durmo em seu carinho.

Quando em sua presença,
acalmo, fecho meus olhos,
reencontro-me.

*

Foto: Cris Simoura


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