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4 de fevereiro de 2016

Quintal

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Tenho pedras em meu quintal.
Tenho flores árvores e pássaros.
Tenho quintal.
Tenho flores e pássaros
que me alegram a vida.
Tenho vida
em meu quintal…
Tenho vivido
em meu quintal.


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4 de fevereiro de 2016

Poeme-se

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Nada do que criamos
fora de nós sobrevive.
Toda realidade é interior.
Posso criar céu ou inferno.
Nossa face revela-nos.
A natureza é mestra em
orientar caminhos.
Minha vida meu
melhor poema.
Labirintos.
Esplendor…


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1 de janeiro de 2016

Primeiro de Janeiro

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Abro a janela do primeiro dia de janeiro.
O que vejo?
Céu de infinito azul com sol estonteante.
Nuvens tímidas, misturadas aos fogos de artifícios,
rabiscam hieróglifos pelos céus.
Um gato dorme um sono metafísico na sombra da caixa d’água.
Pássaros saúdam o novo brincando a vida.
Abelhas agradecem a canjiquinha sonhando flores.
Tudo na mais perfeita sinfonia do caos.
O mundo é bem melhor compreendido às avessas.
Uma borboleta desrumada, branca, ruma à branca flor do quintal.
Cães tremem fogos…
O pó preto desvirginando as narinas.
Sirenes e carros embriagados aceleram
o ritmo cardíaco da luz.
Tomo meu primeiro café
e tudo se ajeita.

Foto: Cris Simoura


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23 de dezembro de 2015

Tempo

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O que os poemas dizem sobre o tempo?
Perguntou-me a amada.
– O que sentes na estação
quando a esperar pelo metrô? – indaguei.
– Sinto que a viagem é bem rápida
e que desceremos em alguma
estação bem mais distante.
– Assim falam os poemas
sobre o tempo: viagens e estações…

Fotografia: Warllem Silva


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13 de dezembro de 2015

Adélia

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Seria tão bom, e acredito ser,
Adélia, chegar aos oitenta anos
num domingo alaranjado e feliz
como do teu sorriso o amanhecer.

Tua oração, carregada de luz,
anuncia o Jesus do teu clarão.
Face iluminada em pedra-sabão
renova a infância em tua poesia.

O mesmo Deus que te guia e morde
o calcanhar não me descansa na dor.
Como pode, Adélia, tua poesia extrair
dos sentidos uma dor tão funda e tão bela…?

* Homenagem pelos 80 anos da poeta Adélia Prado em 13/12/2015.


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14 de novembro de 2015

III Lâmina

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Olhos vedados
Tudo vê: Nada enxerga.
A luz turva-nos os olhos.
O coração cego cega-nos…
Por todo lado destruição.
Distração. Desinformação…
Um frio mortal perpassa-nos o peito.
Sua aço fere-nos o pulmão,
perfura costela e coração.
Vestida com seu último manto, verde,
ela tomba e damos um penúltimo suspiro.
Minha terra sua raiz não sustenta.
Sua morte nos agoniza.
Nos veios um apenas veneno…
Esmagados pela ganância
e pela ignorância.
Quando nada mais corre:
O homem morre!

Foto: Douglas Magno/AFP


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2 de novembro de 2015

Finados de minha Infância

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Desde criança tenho certa vocação por gostar desse dia dedicado aos mortos.
Um sentimento de respeito e curiosidade. Era comum no Finados irmos todos ao cemitério visitar os mortos, fazer orações, acender velas e falar bem deles.
Eu ficava bastante eufórico com a data. Achava importante ir ao cemitério e ter alguém bom para visitar.
Todos que estavam ali visitando seus mortos, alguns chorando e outros em profundo silêncio, eram pessoas conhecidas e respeitadas em nossa pequena cidade de Jerônimo Monteiro. Alguns eram pessoas bem mais ricas(Os patrões, o prefeito, os médicos…) e outros mais pobres(Eu e o povão em geral); ali não tinha disso: todos eram iguais e se abraçavam, cumprimentavam com palavras respeitosas, sempre curtas pra não quebrar o silêncio. Um lugar que me deixava em paz e reflexivo!
As pessoas estavam sempre perto de alguma cruz e muitos tinham uma foto do seu ente querido e letras com seus nomes e datas do período que viveu na Terra…
O que lembro muito bem é que sempre eram pessoas que eles gostavam muito. As histórias não me deixavam nenhuma dúvida: só os bons morriam; fizeram-me acreditar que só os melhores exemplares estavam enterrados ali naquele lugar. Por isso minha relação com os mortos sempre foi boa e tranquila.
Confesso que ficava meio triste porque ninguém nosso morria. Eu não tinha ninguém pra visitar… Entrava e saía anos e só os outros morriam e seus parentes tinham histórias boas para contar no cemitério. Eu não tinha ninguém e com isso nem chorava. Achava importante chorar, mas eu não chorava. Como não tinha ninguém nosso para visitar, visitava a todos… Ficava por horas passeando ali e pensando nos mortos, lendo os nomes, calculando as idades… Um sentimento bom me acompanhava naquele dia. Cresci assim, tendo o cemitério como uma recompensa para as pessoas que venceram na vida; lugar onde só moravam aqueles que tinham sido promovidos a morte. Morrer era um estágio inimaginável. Tinha que saber viver para morrer direito. Eu não sei se sabia morrer – passavam essas coisas em minha cabecinha de criança!
Sempre que me batia alguma tristeza ou mesmo algum aborrecimento pensava comigo: Ainda irei morrer e morar lá no morro do cemitério. Lá serei bem mais importante. As pessoas não irão me aborrecer e ainda falarão bem de mim.
Este sentimento de que o cemitério é um lugar de paz, de igualdade entre as pessoas – um lugar de oração – me acompanhou desde sempre!
Cada cidade que visito, até hoje, gosto de conhecer o cemitério. Ele continua sendo para mim um lugar incrível de oração, de gente querida e amada por todos.
Aprendi, desde criança, que morrer era só para os fortes; para aqueles que já completaram sua missão aqui na Terra…!

Foto extraída do Google


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29 de outubro de 2015

Século da Colheita

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Cidade. Concreto. Grades.
Carros passam…
Gente dormindo pelas calçadas.

Pressa. Pressão.
Infarto. Solidão.
As ruas não
respiram árvores…

Tudo corre. O rio não.
Escorre sangue do irmão.
Palavrão. Justiça. Cobiça.

Calor. Colar. Dor.
Segue o mundo.
Ceguem os homens…

*Imagem Google sem conhecimento do código do autor


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29 de outubro de 2015

Amanhecer Poesia

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Amanhecer de céu branco,
abençoado de chuvinha mansa,
renova meu coração-criança…

Incensado no aroma fumaça
d’um café preto, forte, capixaba;
o inseparável conselheiro Drummond…
Assim beijo as janelas de minhas manhãs.

A parede que assiste a chuva
não me vê;
o pássaro que na árvore
inda dorme;
a poesia que me foge e foge
e não se deixa prender…


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